
Ao comentar as recentes declarações do deputado Felipe Carreras (PSB) sobre a relação entre o PT e o PSB, o membro da Executiva do PE em Pernambuco e ex-líder do governo na Câmara, Fernando Ferro, defendeu que o debate sobre reciprocidade deve estar fundamentado, antes de tudo, na convergência de ações e no apoio às pautas estruturantes do Governo Lula.
Para Ferro, a cobrança por um apoio “por inteiro” precisa ser precedida por uma análise do histórico de fidelidade no Congresso Nacional. Ele pontuou que, em momentos decisivos para a gestão federal, o comportamento da bancada do PSB — e do próprio deputado Carreras — apresentou divergências significativas em relação à orientação do governo Lula.
Ferro disse que também não esquece o episódio do impeachment da presidente Dilma, em 2016, do qual diversos parlamentares do PSB de Pernambuco votaram pelo impedimento. “Falta coerência e moral a Carreiras para poder fazer esse tipo de cobrança política às vésperas da formação de uma chapa majoritária”.
“A reciprocidade política não é um conceito abstrato; ela se materializa no voto e no compromisso com o projeto que estamos construindo no Brasil. Não se pode cobrar unidade total quando, em diversas ocasiões, vimos divisões internas no PSB que dificultaram a governabilidade”, observou Ferro.
Fernando Ferro, que está na pré-campanha a deputado federal, ressaltou ainda que o PT de Pernambuco mantém seu compromisso com as alianças, mas que o diálogo deve ser pautado pela coerência mútua, garantindo que o apoio seja recíproco tanto na esfera estadual quanto na sustentação política em Brasília.