
A história das sociedades sempre traz reflexões sobre o avanço do que já foi pensado, produzido e desfeito sobre a população negra, mas também, trouxe resquícios de dor e exclusão. Não temos como pensar o racismo, pensar a pessoa negra, pensar processos de exclusão sofrida, sem trazer sobre a Doença Falciforme – DF, trazida no período escravista.
A doença falciforme traduz na vida de quem é acometida, uma vida regada de muitos cuidados, desde o momento nos primeiros dias de vida. A história tem uma dívida gigantesca para com a vida de cada pessoa negra nesse país, por tudo o que foi feito durante a chegada dos europeus com a colonização e de como aquele período prejudicou a vida de quem já ocupava o território nacional, os índios.
Não podemos deixar de expor que a objetificação do corpo negro no tempo da colonização evidenciara um dano para o resto da vida de muitas pessoas traduzidas no indicador onde demonstra que a maior parte da população do Brasil é considerada negra (IBGE, 2010), incluindo outros fenótipos, como, por exemplo, a pessoa parda. Portanto, sendo a doença falciforme a mutação no gene (Brasil, 2013), ocasionando alguns fatores negativos na vida, como a redução de qualidade de vida. A doença falciforme tem sido pauta de discussões recentemente, tanto que, só em 2013 é publicada uma diretriz sobre a linha de cuidado para pessoas com a doença.
Vale destacar que a maior prevalência de pessoas com a doença falciforme está entre a população negra, resquícios trazidos pelos grandes navios na época vindos da África. Essa situação trouxe prejuízos no desenvolver da vida nos campos da saúde, da cultura, social e até do trabalho por diversas. A DF é uma enfermidade hereditária causada por uma hemoglobina mutante ligada à descendência de populações originárias principalmente da África subsaariana, e da Índia, da Arábia Saudita e de países mediterrâneos (Brasil, 2013).
Não podemos pensar num Brasil rico e com tantas possibilidades se ainda sentimos a desigualdade, não só no campo econômico, mas também no social, cultural e demais espaços de vivência humana. Quando tratado sobre a desigualdade para a pessoa negra a preocupação se amplia, já que essas pessoas vivem a todo o momento, narrativas racistas, desigualdade, exclusão e muitos outras ações, é importante refutar cada vez todos eles e produzir na sociedade o sentimento de efetividade em acabar o racismo e toda forma de exclusão para com a população negra (Bes, 2018).
A resposta para a necessidade de pensar na inclusão das pessoas negras foi a produção da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra promulgada em 2013. É possível mensurar os desafios enfrentados pelos trabalhadores do SUS em promover sensibilização para que possamos acolher e acolher com muita qualidade toda pessoa preta. A assistência às pessoas com DF, como ocorre com toda enfermidade crônica, deve privilegiar a ação multiprofissional e multidisciplinar (Brasil, 2013), no entanto, a realidade ainda é preocupante. A forma de condução da doença falciforme no contexto social atual eleva para um nível gritante porque demonstra em exposição ampliada acerca da pobreza, das condições precárias de saneamento básico, da formação educacional precária em que se encontram a população negra, entre outros fatores.
Sobre os riscos trazidos pela DF para a pessoa que carrega isso em sua corrente sanguínea poderá ser observado a seguir, como a síndrome mão-pé, crises dolorosas, infecção e febre, icterícia (olhos amarelados), crise de sequestro, úlceras de pernas, priapismo, AVC ou AVE (Brasil, 2006). O cuidado necessário precisa ser pensado a partir das próprias pessoas que almejam uma atenção integral, dando possibilidades de inclusão, elevando a prática da equidade no território e nos espaços de convivência.
Professor, Helison Ferreira
Assistente Social
Psicanalista
Professor do curso de Odontologia do UNINASSAU – Caruaru
Mestre em Saúde Mental