
Por Carlos Pinheiro
Registram-se mais de 77 milhões de pessoas assistindo à novela Pantanal nesta semana, o que já causa esvaziamento nas ruas no horário noturno. E ainda tem besta ideológico querendo destruir o Sistema Globo de televisão, a terceira maior empresa jornalística do mundo e a primeira em dramaturgia. Bando de lesos. Querem exibir novelas idiotas, religiosas ou partidárias, é?
E essa audiência não é maior porque Pantanal está muito pudica, não mostrou ainda os peitinhos de Juma nem de Guta. Estão mais puros que mel de abelha. Ah! Vê-las tomando banho no rio, nuas, flutuando, com jacaré babando em êxtase… (Homi deixa de tuas safadezas e volta ao texto). É meu censor moral. Um chato.
Pois bem. Voltemos.
Não é preciso ter conhecimento em sociologia para perceber que a sociedade está perdida entre o urbano e o rural. Observa-se casal idoso vendendo a casa onde criaram os filhos e que, hoje, se tornou grande para apenas duas pessoas e aí, num lapso de imitação comportamental, deixa o habitat onde decidiam os prazeres de encontros e administração do imóvel e vão viver engaiolados num apartamento onde os netos não podem fazer barulho, o salto alto do sápado incomoda o vizinho de baixo, a fumaça do churrasco é criticada, o latir do cachorro não existe porque o animal foi proibido, a discussão pela vaga de garagem é constante e rotineira, o silêncio da comunicação é gritante, pois, nem um bom dia se ouve no elevador. O inferno para quem viveu em liberdade num verdadeiro lar.
Daí sonham em morar num sítio, por isso a adoração pela novela Pantanal, onde o convívio com a natureza é permanente e sem violência, diferenciada do apartamento quando se sai da garagem olhando para os lados e se motociclistas emparelham no veículo, a pressão sobe temendo assalto, engarrafamento, crianças famintas nos semáforos exibindo malabares, pedindo ajuda, assaltantes, polícia estridente, ambulâncias, correria de assaltos em lojas, roubos de celulares, verdadeiro inferno.
E no campo, apenas cerca verde como divisória, casal de cachorros pra latir e bufar, galinhas destruindo a horta, mas deixando o ovo, passarinhos cantando no lugar de sirenes, orquestra sinfônica de rãs e sapos no acasalamento, paz no dia molhado e sono gostoso na noite fria, aconchegante, sonhando com o banho livre de Juma e Guta.
Por isso, Pantanal faz tanto sucesso. E o homem urbano sonha com o mundo rural, porém, prisioneiro em apartamento que comprou, pagou, mas deve eterno condomínio.
– Cala a boca, seriema! Deixa acauã cantar um pouco. Esse galo-de-campina conheço pelo trinar diferenciado. Xolinha, deixa o gato Miau em paz. Eita! Tá na hora da cachacinha com tanajura e farinha na manteiga.
Vê se pode?!